Um

Sozinha.

Ergo os meus olhos ao céu. Estou cansada de tudo, mas as nuvens passando me contam segredos que o vento sussura, que eu ouço e logo esqueço. Há lágrimas nos meus olhos, mas eu não sei por que choro.

As pessoas passam por mim. Eu as olho.

Elas olham de volta, mas seguem o seu curso. Olho em volta: tantas pessoas indo e vindo, entrando e saindo, parando e seguindo. Não tento imaginar suas vidas ou o que as trouxeram até aqui, mas sim penso no porque de eu estar aqui.

Caminho.

Passos lentos e arrastados, de má vontade. Passos de um bêbado perdido, que apenas coloca um pé diante do outro com medo de cair se parar, mas que não tem idéia do porque fazer isso. Quem sabe desmoronar seria melhor?

Um banco.

Sento-me nele e fecho os olhos por um instante, tentando organizar as idéias confusas que ameaçam me afogar. Um turbilhão de pensamentos, sentimentos e sensações me assola por um instante, então respiro fundo e os deixo ir embora para onde quer que tenham de ir. Agora tudo está em branco novamente.

Levanto e caminho.

Ainda com os passos trôpegos, coloco um pé em frente do outro, movendo apenas o corpo, já que a mente ficara estacionada e em branco mais atrás… Em branco. Como o céu nublado. Como o carro que está vindo em alta velocidade.

Um passo. Mais um.

Um baque. Um sorriso. Um adeus.

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Saudades

Há, em algum lugar, uma pequena vila. Não há mais do que dez ou quinze casas lá, todas elas simples. Essa vila está ao sopé (ou seria no meio?) de um morro, com uma única estrada de terra batida levando até lá.
Ao redor, apenas o verde, a mata é cheia e densa, e dá para ouvir o som dos animais lá fora, os pássaros cantando o dia inteiro. Nas casas, as pessoas sorriem ao ouvir a sinfonia marcada, tão bem conhecida.
Seguindo em frente pela rua principal, há uma trilha estreita, quase invisível, que sobe o moro no qual a cidade está, e lá no alto tem uma pedra, escavada pelo tempo, na qual existem degraus para subir. Lá em cima, dá pra ver tudo: a floresta no entorno, os telhados praticamente escondidos da vila e o céu. Sempre tem uma brisa suave soprando lá em cima. De noite, é sentar e olhar as estrelas, sem mais nada em volta, a não ser uma ocasional coruja ou morcego fazendo seu vôo noturno. Lá, o céu é sempre limpo e claro a noite, e o firmamento parece estar ao alcance das mãos, e é fácil se perder naquele mundo pontilhado de luzes e acabar tendo o sol como seu companheiro final, ou alguma das pessoas vendo ver se está bem e lhe dando um dedo de prosa.

Nunca estive ali.

Nunca senti tanta saudade em minha vida como sinto daquela pedra sob o céu esstrelado.

Desculpas

Eu peço desculpas pela sequência de posts imensos. Acabei achando eles perdidos no meu pc. Tenho a mania de escrever textos de todos os tipos em momentos iluminados de sabedoria, depois esquecê-los. Com o agravante de que, para ajudar tudo, ainda esqueço de por um nome decente para o que eu escrevo, então tenho muitos ‘sem-nome0000’. Mas hoje, como estou de bom humor, acabei postando todos os que eu achei legais. Bom divertimento.

Atropelada

A verdade lhe atingia como um soco, enquanto suas milhares de memórias passavam e repassavam em sua mente. Pessoas, coisas, animais, tudo tinha a mesma importância, sempre tivera. Mas não naquele momento. Queria ver o rosto querido que estava longe, do qual não poderia se despedir. Queria olhar a chuva que caía, apesar das pessoas estarem se juntando a sua volta.
Dava um sorriso suave, apesar do sangue lhe descer aos borbotões pela boca e pelo braço que não mais existia. Estava em uma espécie de êxtase, onde a dor tinha sumido, e todo o tempo se arrastava em câmera lenta, o que a deixava notar cada detalhe dos rostos, dos olhos, dos cheiros.
A ambulância chegava gritando, e logo muitas pessoas competentes a agarravam, tocava, e remexiam, mas aquela parecia uma cena de sonho. Agora, deitada e presa, só conseguia sorrir e afirmar para a moça que parecia em desespero ali, remexendo em frascos e seringas e a espetando mais e mais que estava tudo bem. Engraçado, ela é que estava calma e a médica tensa. E sorria com o pensamento, enquanto a perda de sangue fazia sua consciência escorregar para um sonho-lembrança, onde a imagem de seu atropelamento voltava. O carro grande. Sinal verde para pedestres. Três passos. Uma batida que a arremessou longe de seu braço esquerdo. As pessoas. O motorista com a frente suja de seu sangue fugindo. Pessoas atordoadas olhando.
Os olhos se fechavam sozinhos, enquanto a moça desesperada ainda tentava fazer algo mais. Queria se desculpar com ela, mas seu cansaço superava tal ato. E o mundo se apagava. Despertava em meio a palavras estranhas em seus ouvidos, distantes apesar das pessoas que as pronunciassem estivessem bem ao seu lado. Alguém notava a sua tentativa de abrir os olhos de novo, e outro alguém colocava algo a mais no soro. Um ‘vai ficar tudo bem’ foi compreendido antes do mundo se apagar novamente. Mas ia mesmo ficar tudo bem. Afinal, aquela luz se aproximava mais e mais, e ela era suave… dava vontade de se aproximar.
Mas era acordada de novo. Mais palavras estranhas proferidas enquanto alguém cheio de sangue parecia fazer algo muito complexo. Não notaram os olhos semi-abertos apreciando o braço ser remendado de volta no lugar. Era algo estranho. Por um momento, ela se sentiu uma boneca de pano sendo arrumada, e com esse pensamento dormiu outra vez. E a luz voltava. Formas estranhas se tornavam um rosto, um rosto que lhe sorria suavemente. Abria os braços e lhe dava um abraço. Era um sentimento familiar, mas não reconhecia o jovem a lhe abraçar, mas retribuiu o abraço, e o apertando um pouco, sentiu que ele sumia, enquanto sua consciência retornava para onde deveria estar.
E via sua família ao redor da cama, olhos inchados de chorar e velar. Tinha ficado mais de um mês em coma, diziam, acharam que não ia mais acordar. E em meio às lágrimas e sorrisos ela saiu do quarto e, algum tempo depois, voltou pra casa. Sua vida tinha voltado ao normal, a fisioterapia lhe devolvera parte dos movimentos do braço arrancado, e aquele que a tinha atropelado tinha sido pego e pago uma indenização, depois de ver o estrago que tinha feito em alguém.
E olhando, por olhar, as fotos de família, ela nota um bebê no colo da sua mãe, mais jovem. O pequeno sorria para a foto, e um calor aqueceu seu coração. Foi perguntar a mãe quem era a criança, e a resposta foi a de ser um irmão morto. A imagem tinha ficado fixa, até que ela se lembrou do ser que tinha visto na luz, crescido.
E olhando para a foto, tentando evitar de molhá-la, retirou do álbum e a pôs em um quadro, perto da cabeceira da cama. E toda noite dava boa noite ao irmão, dizendo que a aguardasse mais, e dormia. E ele lhe aparecia ao lado, lhe dando um beijo de boa noite, e sorrindo, concordava com a cabeça. Iria demorar para dizer oi a ela de novo, mas não fazia mal. Cuidaria dela e de todos até o dia de se verem de novo.

Ponto de vista

As horas se arrastavam. Milhares de coisas vinham à mente, e nenhuma delas fazia sentido. Como em um passe de mágica, toda a lógica de sua vida desmoronava e milhares de locais e coisas já não faziam mais sentido. Alguém havia embaralhado todas as páginas de sua vida, e por mais que tentasse reorganizá-las, não tinha sucesso.

Como, em um espaço de tempo tão curto, tinham conseguido acabar assim com uma vida inteira? Não sabia filosofar, e também não se perdia em linhas de pensamentos. Não conseguia nem sequer construir uma para poder se perder nela. Apenas lembranças esporádicas como a de alguém lhe sorrindo, um fragmento de cidade, um cheiro bom de flores, seguido de várias buzinas e gritos. Folhas soltas ao vento se mesclavam ao por do sol, assim como as nuvens de uma cidade entravam junto com ele numa cafeteria, se servindo de um prato com cheiro de chocolate.

Uma voz. Seria de alguém que conhecia? De alguém que estava por ali? De alguém que ainda estaria? Apenas um fragmento de imaginação? Nenhuma resposta e vista. Uma segunda voz era acompanhada pela primeira e uma terceira pelas outras. Mas ainda estava muito e muito confuso para ser algo que pudesse ser lembrado.

Sentia um formigamento no braço. Mas não se lembrava que era um formigamento, nem onde nem o que era o braço. E as coisas ficavam ainda mais confusas, mais complexas. Uma ou outra coisa parecia ficar coerente agora. Alguém querido estava abraçando. Calor de mãos suaves afagando seus cabelos. Suas mãos crescendo junto com o seu corpo. Sua visão mudando. Mais pessoas conhecidas. Aprendizado. Uma escola, muitos colegas, a descoberta da vida adolescente, as espinhas, as notas, preocupações corriqueiras. Um amor, bronca dos pais. Lembrança de uma noite diferente, sensações. A carreira, o gosto pela aventura. Podia ser o que quisesse, mas tinha tomado gosto por adrenalina, e a procurava da forma mais pura. A entrada para o exército, a satisfação de poder correr, gritar e matar. Sim, tinha sido ensinado a matar.

Alguma coerência.

Lembrava bem de seu corpo, cada parte dele. Lembrava de como mexer ele. Começando com os pés, as mãos. Tentando mexer as pernas e os braços. Sim, tudo estava parecendo estar no lugar. Abrir os olhos. Olhar. Uma grande sala branca com equipamentos. Teria se acidentado? Algumas pessoas chegaram correndo, alguém mais falou algo e ficou feliz. Uma seringa com algo dentro. Inconsciência.

Acordava de novo. Sala de hospital. Equipamentos de hospital. Mais pessoas. Chamar a enfermeira que vinha checar como estava e lhe pedir alguma informação. Acidente de carro. Os amigos tinham morrido, o culpado fugiu. Mas estava bem. Era órfão, então ninguém se responsabilizava por sua estada ali. Mas tinha um plano de saúde, não era necessário se preocupar. Em breve poderia voltar para suas atividades no exército. Em sorriso, descanso. Agora estava tudo fazendo sentido. Dormiu, pronto para voltar ao seu posto de espião.

***

Não muito longe dali, uma equipe de pessoas de jaleco branco comemorava. Anos de pesquisa e tentativas falhas encobertas cuidadosamente pelo governo estava dando frutos. O projeto de criação de andróides humanos estava quase concluída. O teste final estava perto, mas até lá iriam avaliar bem as respostas daquele primeiro protótipo. Caso ele desse certo, o controle sutil dos humanos por intermédio dessas máquinas iria começar.

Desventuras – Parte II

Sara tinha subido ali de novo para ver o universo em toda a sua glória. Amava cada partícula de pó, cada raio, cada uma das coisas existentes. Poderia ficar ali dias olhando e olhando, mas isso levantava desconfianças, e também, como da última vez, algum engraçadinho poderia tentar algo com ela. Não que fosse conseguir de verdade, já que tinha seus próprios meios de defesa, mas era incômodo. Apenas divagar sobre o que acontecia e o que poderia acontecer já a entretinha o suficiente.
Hoje, por sorte, tinha um espetáculo a parte com aqueles cinco aprendizes de mago, apesar de não os olhar diretamente. Não achava que devia olhar para eles como todos os olhavam – bichos estranhos que deviam ser exterminados, ou seres curiosos para olhar como em um zoológico -, mas sim com algum respeito, se não fosse pelas suas vitórias, pelo menos por seus esforços. Não tinha prestado atenção no livro, e agora, nesse exato momento, sua mente estava fixa em um aglomerado de estrelas inalcançável, e ela sorria.

***

As riscas no chão, feitos com giz vermelho, eram meticulosamente medidas, o círculo usando um compasso gigante para sair perfeito. O esquema era rápido, e incrivelmente silencioso. Só paravam para checar o que o livro mandava fazer, ou onde por as velas diferenciais. O básico era o mesmo para todos os livros existentes, provavelmente copiados de algum mais importante. Em pouco tempo, tudo estava pronto. Eles então acendiam uma vela bem no centro do círculo, e sistematicamente iam acendendo as outras. As frases em latim, já decoradas e treinadas, saíam em um belo ritmo, parecendo mais uma canção. E a lua ajudava a elevar os ânimos.

De repente, uma brisa morna começava a soprar, carregando folhas para a chama tênue das velas, mas elas é quem pegavam fogo. O vento aumentava, e eles pareciam não sentir. E nem a que estava de fora, agora com os olhos bem cravados neles, examinando o título do livro.

***

“Que coisa… – pensava Sara, o semblante sempre calmo assumindo um tom de gravidade que realmente não ficava bem ali – Realmente acharam um verdadeiro, mas nem sabem o que estão fazendo… Espero que não dê certo.”

Terminava o pensamento enquanto suspirava, passando os olhos pelos integrantes ali que pareciam em transe, largados às palavras e a caminhada-dança, admirando pacificamente o desenho no chão ser lentamente preenchido por uma luz suave, que em pouco tempo se tornava trevas, abrindo um buraco por onde uma mão grande e medonha se colocava para fora.

***

Estavam conseguindo, e sabiam disso. Nunca, em toda a vida, tinham realmente conseguido algo como aquilo. As palavras esquecidas ardiam com um fulgor de fogo vivo enquanto a luz irradiava dali. Mas algo parecia errado, aquelas trevas não eram para estar ali. Mas uma curiosidade pungente os impulsionava a ver até onde ia aquilo, o que ia acontecer de verdade.

A mão os assustou. Não era isso que esperavam. Carlos parou de imediato, seguido quase imediatamente pelos outros quatro. Definitivamente, aquilo não era uma criatura de proteção. Estava mais para guerra. Melissa tinha recuado alguns passos na direção da trilha, instintivamente. O rochedo era estreito, não conseguiria sustentar o peso da imensa criatura que forçava caminho pelo minúsculo orifício que lhe servia de passagem, agora já quase todo para fora enquanto os jovens magos recuavam mais um pouco. A criatura de pele grossa escamada, recoberta por outra pele ainda mais grossa, de olhos negros e duros, narinas enormes e uma boca que não conseguia esconder dois dentes que lhe escapavam pelos cantos tinha se sentado no chão. Nessa posição, era quase da altura deles em pé. Era fácil notar a confusão e o espanto no olhar deles, principalmente de Ágatha. O impulso geral era correr, mas seus pés pareciam presos no chão quando aquilo falou:

_Quem eu devo matar, mestres?

Confusão. Matar? Não, não era para isso que tinha sido invocado. Mas então, para que? A resposta não existia, e tudo o que eles conseguiam fazer era ficar encarando a fera, que depois de repetir um ou duas vezes a pergunta já tinha perdido a paciência, até que avista a garota de cabelos negros na ponta do penhasco, olhando.

_Entendi. Vão matar aquela moça. Farei meu trabalho e depois vou embora.

Uma manifestação retardada chegava aos olhos de Rebeca, mas já era tarde para tentarem parar o ser. Ele corria como um trem em direção de Sara, seguro da vitória fácil e de seu prêmio por ela.

Desventuras – parte I

Tinham subido o morro de novo. Era algo quase automático para eles, ir àquela pedra saliente no meio do nada, numa trilha a noite. Muitos achavam que eles faziam algum tipo de orgia ou usavam drogas, mas era outra coisa, mais condenável aos olhos alheios do que isso: magia. Ao menos era o que os livros e revistas falavam, ensinavam, passo a passo. Mas nada do que faziam era realmente verdadeiro. Livros novos e informações da internet só forneciam meias verdades e símbolos errados. Mas continuavam, juntando dinheiro para comprar livros mais antigos, se esforçando para fazer traduções.

E estavam quase lá. Cansados e suados, nas suas roupas rituais, carregando todo o aparato necessário, quando a viram. A jovem de cabelos negros cacheados, vestida com seu conjunto bem-conhecido de jeans e regata preta, com seus chinelos ao lado do corpo, sentada, na beira do penhasco olhando o céu, de costas para eles. Parecia nem respirar enquanto o fazia, e não tinha percebido os cinco que chegavam ali e a observavam com curiosidade.

Aquela garota era reservada, quase não falava com as pessoas da vizinhança desde que tinha se mudado a cinco anos, e todos tinham quase certeza de que era louca. Mas ninguém sabia de verdade. Seu passado era um mistério tão grande quanto o que fazia para conseguir dinheiro, e do que se alimentava. Sempre carregava sua mochila, na qual levava tudo o que precisava. Não se ouvia rádio ou televisão na sua casa, e tinha uma estranha mania de sumir e reaparecer quando lhe desse na telha. Mas agora ela não estava com a mochila, e eles não queriam ser perturbados. E ela não era considerada um estorvo.

Rebeca foi a primeira a se aproximar dela, suavemente, apesar dos olhos negros da moça não parecerem enxergar nada, nem mesmo o verde dos olhos da ruiva, que só após dar algumas sacudidas suaves nela que obtiveram resposta:

_Errmmm…. Ei… Sara… SARA!! Nós, errm… vamos nos reunir aqui e… fazer, erm… algumas coisas, tudo bem? Não precisa se assustar… nós, erm… bem, é só não tentar se meter e fazer perguntas…

Ela sorriu suavemente para a ruiva, olhando também para os outros quatro, mas sem parecer se incomodar, apesar das capas negras com forro vermelho, a sacola de velas e giz e algumas pedras coloridas no pescoço deles.

_Fiquem a vontade. É uma pedra pública. -Falou, dando de ombros- Apenas lembrem de apagar o que escreverem nela, senão algum retardado pode tentar invocar o demônio matando alguém aqui ou algo do tipo. Tem pessoas muito idiotas nesse mundo, não se esqueçam disso…

E se calou, os deixando boquiabertos, enquanto voltava a olhar para o céu, como se hipnotizada. Aquele era um conselho razoável, mas realmente inesperado de alguém como ela. Se é que se espera algo de alguém assim. Lukas então abriu a página marcada do livro antigo que tinha sido comprado recentemente, e que seria testado ali, enquanto comentava com Agatha em voz alta, como se tivesse tomado alguma bronca de alguém importante:

_Tata… como vamos apagar isso depois… ela tem uma certa razão… Lembra daquele pessoal da igreja…

_Tá, tá, calma, Luk, eu apago depois, nem que seja com a minha roupa. Também não quero ser culpada por um idiota querer matar pessoas com a desculpa de fazer invocações. – E sorriu, com os olhos cheios de esperança – Tomara que dê certo dessa vez…

_Vai dar sim, tenho certeza! – Respondeu Carlos sem pensar muito. Era um entusiasta da magia, e tinha deixado seu cabelo castanho claro crescer à moda do século XVII, e com a capa parecia um cavalheiro ou algo do gênero. – Esse, sem dúvida, é um exemplar original que possui coisas verdadeiras!

_Foi o que você disse da última vez… – Retrucava Melissa, fazendo cara de poucos amigos, enquanto posicionava algumas velas em locais marcados. Era a menos crente do grupo, mas sua curiosidade a motivava a ficar pra ver, esperando que algo estranho acontecesse, como já tinha acontecido uma vez ou outra.

_Já chega, parem de discutir… vamos começar logo. A invocação de uma criatura que protege – Começava Beca, olhando o livro e pronunciando as palavras em latim baixo, fazendo os outros repetirem. Tinham esquecido a garota que olhava para o céu.