A Descoberta

Como eles nunca tinham visto algo tão imenso assim? Algo que preenchia completamente o céu, e a grande luz que iluminava o horizonte. Mas aquela era uma nova descoberta, proporcionada pela sabedoria dos deuses. Estavam deslumbrados e muito gratos por terem sido escolhidos, entre todos de seu povo, para poderem ir ver aquilo. Ficaram orgulhosos, afinal, era sua fé que estava ali.

Cada vez que avançavam mais, encontravam uma nova maravilha. Aquela luz que os enchia, fazendo-os ver tudo o que não tinham visto antes, aquela coisa imensa no céu, que, segundo o grande livro, era a morada dos deuses. Sim, com toda certeza, ali que os deuses moravam. E era lindo.

As milhares de estrelas que brilhavam ali estavam escondidas pela grande luz, e aquilo os assustava e maravilhava. Até que viram o impossível. Aquilo era enorme, brilhante, diferente de tudo o que tinham sequer imaginado em suas vidas. Aquilo era, sem sombra de dúvidas, um presente dos deuses. Tão bonito, tão magnânimo…

Tiveram medo. Será que fariam algum desagrado se tocassem naquilo? Seriam eles puros o suficiente para se aproximar de algo divino? Uma pequena discussão. A decisão tomada. Um deles se aproximava lentamente, com a cabeça de lado, da forma mais reverente possível. Um grande arco com os braços, e um toque suave, quase não encostando. A grande luz pairando no rosto dele, enquanto começava a tocar a coisa com a outra mão. Estava abençoado.

Os outros se aproximaram da mesma forma, e também sentiram o frio das bençãos penetrando seu corpo. Agora eles eram supremos, e levariam a verdade e tudo o que aprenderam ali para o seu povo. Os deuses tinham lhes enviado um presente que os encheria de luz, e todos prosperariam bem.

Uma batida de algo, uma coisa cai do céu. É brilhante como a grande, mas essa dá para pegar. Uma prova do que viram, da existência do grande templo ali, onde poderiam sentir todo o poder dos deuses. Com todo o respeito, pegam a lasca de metal e colocam dentro do baú da sabedoria. Hora de voltar. Eles não deveriam passar tempo demais perto de coisas divinas, ou acabariam ali para sempre.

Aprontaram as coisas, começaram a caminhar. Ao se afastar os dezessete passos necessários, eles se viraram de novo, e encurvaram suas cabeças para a direita, cheios de temor, para a grande bola azul, a morada dos deuses, e para a imensa estrutura de metal. Hora de voltar pela cratera-túnel que vieram e escrever mais um capítulo do livro sagrado, esperando que os deuses venham lhes abençoar pessoalmente.

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3 comentários sobre “A Descoberta

    1. Minha idéia é de serem seres da lua, que viviam em seu interior e terem apenas uma fração do tamanho. Acho que vou reescrever para deixar essa idéia mais clara

  1. – Eu gostei desse texto. Embora eu tenha ficado um pouco confuso com o mesmo, quem sabe eu volte à lê-lo qualquer dia.

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